Entrevista: Mãe e Representante da Comissão de Pais

21.08.2017

A entrevista que se segue foi realizada pelo QuererCrer, no ano catequético de 2016/2017, a uma Mãe, representante da Comissão de Pais desta Catequese. Esta entrevista teve como objetivo dar a conhecer um pouco mais da experiência desta mãe e desta família, enquanto Cristãos que frequentam a Catequese do Seminário Passionista de Santa Maria da Feira. Esperamos que este testemunho seja para o leitor, tão enriquecedor, tal como foi para nós conduzir esta entrevista!

 

Na sua opinião, qual é o objetivo desta Comissão de Pais?

Quando me desafiaram, o que eu percebi é que nós seriamos representantes dos vários pais desta Catequese. E que, de alguma forma iríamos ajudar a coordenar as atividades, trabalhar em parceria com os catequistas e Padres responsáveis. Procurando, de alguma forma, encontrar atividades e espaços que fossem de maior interesse para as crianças e jovens, no geral, nas várias idades.

 

Porque é que aceitou este desafio?

Tenho uma filha que está no 10º Ano, já na preparação para o Crisma, este será o último ano desta caminhada. Nós esperamos depois que ela continue em outra função, e já mostrou vontade nisso e nós teremos todo o gosto que ela se mantenha e apoiamos muito.

O que me fez aceitar o desafio foi a vontade de a apoiar e acompanhar ao máximo neste percurso de vida. Porque nem sempre conseguimos fazer tudo aquilo que gostaríamos de fazer, mas no que podemos procuramos dar o exemplo.

Até mesmo na minha profissão, porque sou professora e tenho alunos meus a frequentar a Catequese, quer queiramos quer não, acabamos por ser um exemplo, não só em casa, como na sala de aula. Eu, como professora de Português, estudo com eles O auto da Barca do Inferno, por exemplo, muito próximo dos temas da religião.

Na minha opinião, existem muitas formas de dar o testemunho e de catequizar, não precisa ser só na Catequese ou a falar, bastam os nossos gestos e atitudes…

 

Falou-nos que tem uma filha no 10º Ano. Que contributos a Catequese trouxe para a vida dela?

A Patrícia andou no ensino articulado até ao 9º Ano; no 7º Ano ela tinha aula individual de violino, depois vinha para a sessão de Catequese e depois voltava a ter aula de violino. Todas as semanas eu ia leva-la à academia, ficava à espera dela, vinha trazê-la à Catequese e depois tornava a leva-la. A uma dada altura eu percebi que era complicado e muito cansativo para ela. Mas numa conversa que tivemos, ela só me disse assim: «Tira-me tudo menos da Catequese!» Eu até fiquei espantada a olhar para ela, pois não é normal para uma criança da idade dela essa reação… mas aqui, neste grupo, todos são muito unidos e isso também é muito importante para eles.

Para além disso, o facto de os catequistas, que dão exemplo, serem jovens e levarem as catequeses muito para a prática de ações, como por exemplo, a recolha de alimentos, que é algo que eles adoraram, também irem ao hospital buscar os doentes para levar à missa…, dá-lhes motivação para virem sempre à Catequese.

 

Concorda, então, que as catequeses fora da sala são algo de muito importante?

Acho que sim, principalmente nesta idade causa mais impacto, porque eles gostam muito de experienciar; também gostam do Daniel e do Pedro, gostavam muito do João… formava-se ali um trio engraçado. Esta gente jovem acaba por ter outra vivacidade, conseguem transmitir muito bem a mensagem e captar a atenção dos catequizandos.

Isto no exemplo da catequese da minha filha, porque existem alguns catequistas mais velhos, que eu vejo que também despertam muito nas crianças… As crianças simplesmente ‘lhes caiem em cima’ e abraçam-se, e nestas idades estas emoções não se fingem, estes sentimentos não se fingem, são puros.

 

Desta sua experiência, de um ano na Comissão, o que nos pode contar?

Para mim foi uma experiência interessante, esta troca de experiências, de opiniões e das várias faixas etárias também foi importante. Nós, pais dos mais velhos, podemos de alguma forma dar e fazer sugestão com a experiência que temos de quanto os nossos filhos passaram, ao que davam valor e do que gostavam. Porque a troca de experiências é sempre positiva e importante.

 

Vai continuar com o projeto para o ano?

Não sei, pode alguém querer ocupar o lugar…

 

O que gostaria, ainda, de ver feito?

Eu acho que o mais importante foi o ‘pontapé de saída’; agora é continuar. Realmente existem algumas dificuldades, como a dificuldade de horários entre os pais, porque vivemos vidas diárias às vezes complicadas. Mas o importante é dar continuidade ao trabalho que está a ser começado…

 

Que experiência fica, destes 10 anos em que acompanhou a Catequese da sua filha?

Como eu dizia, a Catequese fora da sala é muito importante e marca-os muito. Mas aqueles momentos de oração e de reflexão também são bastante importantes.

Para além disso, pela experiência e pelo que vou ouvindo… por exemplo, familiares de uma outra Paróquia que vieram à Profissão de Fé da Patrícia e o filho dos padrinhos dela, ficaram encantados com a cerimónia, por ter sido tão espetacular, a forma como eles foram envolvidos na dinamização da cerimónia… A Patrícia fez a Profissão de Fé no sábado e no domingo foi a dele e não tinha nada a ver, foi muito diferente…

 

É importante, também, envolver os pais e família na Catequese?

Sim, eu acho que sim. Mas os pais também têm de se esforçar para estarem presentes e levarem as crianças a participar… é um pouco como vemos nas escolas, os pais que participam são quase sempre os mesmos…

 

Como incentivou a sua filha quando ela era pequenina?

Eu vinha com ela e procurava participar em tudo o que podia…

 

O que acha das dinâmicas da Quaresma e do Advento?

Sim, eu acompanho, e acho muito importante, porque as crianças chegam a casa com as atividades para fazer, precisam da ajuda dos pais e eles acabam por se motivar nessa ajuda e apoiam mais.

 

A nível pessoal, o facto de participar nesta Comissão fê-la ter um olhar diferente?

Durante alguns anos eu dei Catequese, mas noutra Paróquia, e era muito diferente daqui; aqui existe mais envolvência e, como tenho este cargo, ainda me sinto com mais responsabilidade.

 

Está a gostar do seu trabalho na equipa?

Estou! É sempre uma forma de conhecer outras pessoas, de conviver, de fazer coisas diferentes… Se existir empenho de todos os lados, tudo corre bem! E temos de nos ‘puxar’ uns aos outros.

 

Sentem que esta Comissão ajuda os catequistas?

Vocês prestam um serviço muito importante e isto tem que ser visto! E nós só temos que estar agradecidos por isso. Curiosamente, em conversas que tive, algumas pessoas até achavam que os catequistas recebiam um ordenado, o que não é verdade…

 

O que gostou mais de dinamizar, no ano passado?

Uma coisa que os marcou imenso além da ida ao hospital foi a visita aos sem abrigo: todo o processo de recolha de bens e alimentos, de estar lá, eles até acharam pouco tempo. É importante para eles perceberem que nem todos têm os mesmos privilégios na vida, a todos os níveis…

                                  

Quais as diferenças entre infância e adolescência?

Os interesses começam a ser outros, por exemplo, as redes sociais… No caso da minha filha, ela já despertou esse interesse um bocadinho tarde e quando ela criou um facebook eu também tive de criar um para mim… Foi até uma forma de ficar com o contacto dos meus alunos e até de chamar atenção para algumas coisas, que fui percebendo melhor.

Na minha opinião, o 7º e 8º Ano são os mais difíceis, e é preciso algum jeito para gerir tudo isso e para os cativar. Aqui na Catequese eu acho que fazem um trabalho muito bom, porque eles acabam por querer manter-se no grupo da Catequese e, na maior parte das situações, tendo vontade de ajudar os outros, até esquecem o telemóvel e o facebook. Mais tarde, podem até formar um grupo forte de amigos.

 

Relativamente ao facto de a Catequese não ser apenas uma hora por semana, o que é que os pais podem fazer para prolongar esta Catequese em casa?

Nós vivemos a Catequese também em casa. Eu tenho a sorte de ter uma mãe muito dedicada, o que acaba por influenciar toda a família. Por exemplo, na altura do Advento compramos aquele livrinho de Preparação para todo o Tempo de Advento e lemos os textos, o que nos dá oportunidade para trabalhar um bocadinho mais, até o meu marido nos acompanha… toda a família se envolve!

 

E assim terminamos esta nossa conversa com uma mãe representante da Comissão de Pais da Catequese, a quem agradecemos a disponibilidade e, sobretudo, os seus testemunhos e experiência no acompanhamento da sua filha na Catequese. Bem-haja!

 

 

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