Para refletir:“Todos irmãos, todos de casa!”

2020 ficará para sempre gravado nas nossas memórias como um ano catastrófico, por causa da Pand

emia provocada pelo novo Coronavírus, chamado Covid-19. Este “bichinho” invisível trouxe-nos medo, inquietação, cansaço físico, mental e espiritual, porque, mesmo aqueles que não fomos atingidos diretamente por ele, tivemos de viver mais ou menos confinados, o que, de todo, ultrapassa o nosso anseio legítimo de liberdade e de encontro. Além disso, temos a lamentar as perdas humanas, as dificuldades económicas cada vez mais intensas, o cansaço acumulado, acima de tudo, dos profissionais de saúde, tantas vezes também eles atingidos pelo vírus na tentativa de salvarem outras vidas humanas…

E é neste contexto que chegará a celebração do Natal, ainda que com um horizonte de esperança trazido pelas promessas duma vacina eficaz, já pronta a começar a ser administrada em grande escala!

Esperemos que esta Pandemia, pelo menos, nos ensine alguma coisa e possamos sair dela melhores pessoas, mais conscientes desta dependência comum e, por isso mesmo, mais disponíveis para cuidarmos do(s) outro(s), pois a vida não é para ser guardada para si mesmo, mas partilhada, na construção desta grande família que é a própria humanidade, onde todos somos irmãos porque filhos do mesmo Pai, o próprio Deus!

Assim, aproveitemos este Natal diferente, mais contido nos ruídos e nos afetos, sem grandes aglomerações – e é bom que assim seja, para evitarmos novas vagas de contágio –, para contemplarmos o Presépio de Belém: ali está Deus, que chega na humildade de uma criança indefesa e pobre, para trazer alegria e paz aos que se encontram mais vulneráveis e carenciados de tudo, de bens e de afetos. Temos um Deus que encarna na nossa carne, que Se faz nosso irmão e que vem ao nosso encontro para cuidar de nós!...

Deixemos, então, Jesus nascer na nossa casa, fazer-Se uma presença constante como irmão mais velho ou, se quisermos, como Senhor da casa. N’Ele e com Ele, aprenderemos a ver o(s) outro(s) como irmão(s), a senti-lo como alguém que é de casa e a cuidar dele com amor e compaixão. Se cuidarmos uns dos outros, não haverá ninguém sozinho nem a passar mal sem necessidade, e este mundo será certamente diferente, porque uma casa onde todos têm lugar, independentemente da raça, do sexo, da religião, da idade ou da condição… É essa esperança que eu, enquanto cristão e discípulo de Jesus, devo semear à minha volta, para que a Luz, que é o próprio Jesus, possa brilhar na escuridão do mundo!