Como os ramos

V Domingo Quaresma

Esta Quaresma está a ser bem diferente de todas as outras. Por causa da pandemia causada por um novo vírus, somos, cada vez mais, obrigados a um isolamento social nunca antes imaginado!Deste isolamento, certamente, não sairemos iguais e aprenderemos a ver o mundo, a vida e os outros com um olhar novo! Oxalá também a nossa fé saia fortalecida, na certeza de que Deus nos acompanha sempre e que o Evangelho, que nos é oferecido por Jesus, afinal, faz todo o sentido ser assumido nas nossas vidas, pois há valores mais importantes que o sucesso individual, o consumo, as aparências, a superficialidade…

Neste contexto, a exigir também da Igreja e das Comunidades uma nova abordagem, esta rubrica no nosso QuererCrer acabou por ficar um pouco esquecida. Se estás de quarentena obrigatória ou por simples compromisso com a sociedade, mas sobretudo se desejas avivar a Palavra de Deus nesta Quaresma, procura refletir acerca dos Evangelhos dos Domingos da Quaresma, que nos ajudam a renovar o nosso Batismo, na certeza de que, graças à Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, todos aqui Renascemos! Partilhamos convosco o Evangelho do próximo domingo (Jo 11, 1-45), deixando-vos, no fim, um pequeno apontamento para cada um dos Evangelhos dominicais deste Tempo da Quaresma:

Naquele tempo,

estava doente certo homem, Lázaro de Betânia,

aldeia de Marta e de Maria, sua irmã.

Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com perfume

e Lhe tinha enxugado os pés com os cabelos.

Era seu irmão Lázaro que estava doente.

As irmãs mandaram então dizer a Jesus:

«Senhor, o teu amigo está doente».

Ouvindo isto, Jesus disse:

«Essa doença não é mortal, mas é para a glória de Deus,

para que por ela seja glorificado o Filho do homem».

Jesus era amigo de Marta, de sua irmã e de Lázaro.

Entretanto, depois de ouvir dizer que ele estava doente,

ficou ainda dois dias no local onde Se encontrava.

Depois disse aos discípulos:

«Vamos de novo para a Judeia».

Os discípulos disseram-Lhe:

«Mestre, ainda há pouco os judeus procuravam apedrejar-Te

e voltas para lá?»

Jesus respondeu:

«Não são doze as horas do dia?

Se alguém andar de dia, não tropeça,porque vê a luz deste mundo.

Mas se andar de noite, tropeça,porque não tem luz consigo».

Dito isto, acrescentou:

«O nosso amigo Lázaro dorme, mas Eu vou despertá-lo».

Disseram então os discípulos:

«Senhor, se dorme, está salvo».

Jesus referia-se à morte de Lázaro,

mas eles entenderam que falava do sono natural.

Disse-lhes então Jesus abertamente:

«Lázaro morreu;

por vossa causa, alegro-Me de não ter estado lá,para que acrediteis.

Mas, vamos ter com ele».

Tomé, chamado Dídimo, disse aos companheiros:

«Vamos nós também, para morrermos com Ele».

Ao chegar, Jesus encontrou o amigo sepultado havia quatro dias.

Betânia distava de Jerusalém cerca de três quilómetros.

Muitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria,

para lhes apresentar condolências pela morte do irmão.

Quando ouviu dizer que Jesus estava a chegar,

Marta saiu ao seu encontro,

enquanto Maria ficou sentada em casa.

Marta disse a Jesus:

«Senhor, se tivesses estado aqui,meu irmão não teria morrido.

Mas sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus,Deus To concederá».

Disse-lhe Jesus: «Teu irmão ressuscitará».

Marta respondeu:

«Eu sei que há-de ressuscitar na ressurreição, no último dia».

Disse-lhe Jesus:

«Eu sou a ressurreição e a vida.

Quem acredita em Mim,ainda que tenha morrido, viverá;

E todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá.

Acreditas nisto?»

Disse-Lhe Marta:

«Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus,

que havia de vir ao mundo».

Dito isto, retirou-se e foi chamar Maria,

a quem disse em segredo:

«O Mestre está ali e manda-te chamar».

Logo que ouviu isto, Maria levantou-se e foi ter com Jesus.

Jesus ainda não tinha chegado à aldeia,

mas estava no lugar em que Marta viera ao seu encontro.

Então os judeus que estavam com Maria em casa

para lhe apresentar condolências,

ao verem-na levantar-se e sair rapidamente,

seguiram-na, pensando que se dirigia ao túmulo para chorar.

Quando chegou aonde estava Jesus,

Maria, logo que O viu, caiu-Lhe aos pés e disse-Lhe:

«Senhor, se tivesses estado aqui,meu irmão não teria morrido».

Jesus, ao vê-la chorar,

e vendo chorar também os judeus que vinham com ela,

comoveu-Se profundamente e perturbou-Se.

Depois perguntou: «Onde o pusestes?»

Responderam-Lhe: «Vem ver, Senhor».

E Jesus chorou.

Diziam então os judeus:

«Vede como era seu amigo».

Mas alguns deles observaram:

«Então Ele, que abriu os olhos ao cego,

não podia também ter feito que este homem não morresse?»

Entretanto, Jesus, intimamente comovido, chegou ao túmulo.

Era uma gruta, com uma pedra posta à entrada.

Disse Jesus: «Tirai a pedra».

Respondeu Marta, irmã do morto:

«Já cheira mal, Senhor, pois morreu há quatro dias».

Disse Jesus:

«Eu não te disse que, se acreditasses,verias a glória de Deus?»

Tiraram então a pedra.

Jesus, levantando os olhos ao Céu, disse:

«Pai, dou-Te graças por Me teres ouvido.

Eu bem sei que sempre Me ouves,

mas falei assim por causa da multidão que nos cerca,

para acreditarem que Tu Me enviaste».

Dito isto, bradou com voz forte:

«Lázaro, sai para fora».

O morto saiu, de mãos e pés enfaixados com ligaduras

e o rosto envolvido num sudário.

Disse-lhes Jesus:

«Desligai-o e deixai-o ir».

Então muitos judeus, que tinham ido visitar Maria,

ao verem o que Jesus fizera, acreditaram n'Ele.

1.ª SEMANA DA QUARESMA: Renunciar (Mt 4, 1-11):

O Evangelho oferece-nos a cena das Tentações de Jesus e a Sua vitória contra o mal. É contínua, para todos nós, a necessidade de renúncia ao pecado e aos falsos deuses. Impõe-se uma decisão ou opção por Cristo!

2.ª SEMANA DA QUARESMA: Revestir (Mt 17, 1-9):

O Evangelho, ao revelar-nos Jesus, revestido de vestes brancas, oferece-nos a possibilidade de reviver o rito batismal da imposição da veste branca. Saboreemos a beleza e a dignidade de sermos filhos amados de Deus e disponhamo-nos a um verdadeiro caminho de transformação das nossas vidas, para ressuscitarmos com Cristo!

3.ª SEMANA DA QUARESMA: Renovar (Jo 4, 5-42):

Os batizados devem “agitar” as águas do Batismo, de modo a que não se tornem «águas passadas» que já não movem a vida; antes se tornem uma fonte de uma energia que renova a vida. Cristo é, verdadeiramente, a água viva que sacia a minha sede?

4.ª SEMANA DA QUARESMA: Reconhecer (Jo 9, 1-41):

O milagre da cura do cego de nascença é o sinal de que Cristo, juntamente com a vista, quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecer n’Ele o nosso único Salvador. A fé faz-nos ver com outros olhos, faz-nos ver tudo de novo; ela dá-nos um coração que vê!

5.ª SEMANA DA QUARESMA: Reviver (Jo 11, 1-45):

Para os batizados é importante colocar-se, como pobre mortal, diante de Cristo, morto e ressuscitado, e corresponder ao Seu desafio provocador: «sai para fora do teu túmulo», onde tantas vezes apodrece a tua vida: o egoísmo, a rotina, a autossuficiência, o comodismo, a resignação, o desânimo… A nossa (nova) vida é Cristo!