Como os ramos

VI Domingo Páscoa

Continuando a escutar Jesus nas palavras que Ele dirigiu aos seus amigos na hora da despedida, nós reforçamos a certeza da Sua presença em cada um de nós, após a Sua Morte na Cruz e a Sua Ressurreição: Ele está no Pai, mas manifesta-Se a todos aqueles que O amam de verdade! Acredito que Jesus está em mim, pela presença do Seu Espírito que habita em nós? Que espaço Lhe dou na minha vida? Que importância tem Jesus no meu quotidiano e nas minhas escolhas? Para respondermos melhor a estas e a outras perguntas, prestemos atenção às palavras de Jesus no Evangelho desta semana, num discurso que continua aquele que ouvíamos na semana anterior(Jo14, 15-21):

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:

«Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos.

E Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Defensor,

para estar sempre convosco:

o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber,

porque não O vê nem O conhece,

mas que vós conheceis,

porque habita convosco e está em vós.

Não vos deixarei órfãos: voltarei para junto de vós.

Daqui a pouco o mundo já não Me verá,

mas vós ver-Me-eis, porque Eu vivo e vós vivereis.

Nesse dia reconhecereis que Eu estou no Pai

e que vós estais em Mim e Eu em vós.

Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre,

esse realmente Me ama.

E quem Me ama será amado por meu Pai

e Eu amá-lo-ei e manifestar-Me-ei a ele».

As palavras de Jesus esta semana estão circunscritas por uma condição essencial, que aparece no início e no fim do Evangelho: o amor para com a Sua pessoa. Mas, para Jesus, este amor só é uma realidade efetiva quando somos capazes de guardar os seus mandamentos! E para que tudo fique ainda mais claro, Jesus mostra que guardar, não é apenas conhecer e saber quais são esses mandamentos, mas exige que os aceitemos e cumpramos, ou seja, que os vivamos no nosso quotidiano, seguindo o Seu próprio exemplo.

  • Assim, em primeiro lugar, pergunto-me: amo Jesus de verdade? Os seus mandamentos podemos resumi-los num só, com o mandamento novo do Amor que Ele nos deixou: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei»! Mas será que eu amo, com autenticidade, os meus irmãos? Estou atento ao que se passa à minha volta? Ajudo, na medida do possível, aqueles que precisam? Sei ouvir o outro? Sou paciente? Perdoo? Estou disponível, mesmo que isso signifique deixar “as minhas coisas” para trás?...

  • A quem segue Jesus desta maneira, assumindo o compromisso do Amor, Ele promete o Espírito da verdade, enviado pelo Pai, que será o nosso Defensor. Ou seja, não estaremos sós! E porque é que nem todos O podem receber? Simplesmente porque não O reconhecem, preferindo viverem fechados em si mesmos, no egoísmo, longe dos caminhos do amor. É o amor que nos faz descobrir o Espírito, viver com verdade, e desejar ter Jesus no coração, oferecendo-Lhe a nossa vida, para que Ele continue a agir neste nosso mundo, através de nós!

  • Assim, o mundo deixou de ver Jesus, que morreu e foi sepultado, mas nós continuamos a vê-l’O porque Ele está vivo, ressuscitou, e ainda que tenha voltado para o Pai, permanece connosco, ligados que estamos pelos vínculos do Amor!

  • “Não vos deixarei órfãos”. Neste mundo de egoísmo que vai gerando tanta orfandade, onde as pessoas se sentem cada vez mais sós e desprotegidas, nós temos uma certeza: Jesus está sempre connosco! Vivo com esta confiança? Sentindo a presença de Jesus, manifesto a todos, pelos meus gestos, de que também eles não caminham sozinhos?

Neste tempo de pandemia que vivemos, onde apesar do isolamento, percebemos que a nossa vida (e saúde) depende dos outros, sejamos capazes de estabelecer novas relações uns com os outros, sentindo-nos irmãos, essa nova condição que Jesus oferece a todos ao dar-nos a Sua Vida e o Seu Espírito, e ao guiar-nos para o coração do Pai, onde todos recebemos o tratamento de filhos muito amados. Então, a verdadeira Vida – Jesus, manifestar-Se-á em nós!

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