Como os ramos

IV Domingo Temo Comum

O IV Domingo do Tempo Comum coincide, este ano, com o dia 2 de fevereiro, Festa da Apresentação do Senhor, 40 dias após o Natal.Ao recordarmos a consagração de Jesus ao Pai logo nos primeiros dias da Sua vida terrena, somos chamados a refletir acerca da nossa própria consagração pelo Batismo (e, alguns de nós, pela Consagração Religiosa): Consagro toda a minha vida a Deus? Aquilo que faço e a forma como o façoé com a intenção de cumprir a vontade de Deus? A Luz recebida no Batismo é Aquela que ilumina verdadeiramente a minha vida? Com a leitura do Evangelho de Lucas, que relata o acontecimento da Apresentação de Jesus no Templo, procuremos tirar alguns ensinamentos para a nossa vida de filhos amados de Deus (Lc2, 22-40):

Ao chegarem os dias da purificação,

segundo a Lei de Moisés,

Maria e José levaram Jesus a Jerusalém,

para O apresentarem ao Senhor,

como está escrito na Lei do Senhor:

«Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor»,

e para oferecerem em sacrifício

um par de rolas ou duas pombinhas,

como se diz na Lei do Senhor.

Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão,

homem justo e piedoso,

que esperava a consolação de Israel;

e o Espírito Santo estava nele.

O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria

antes de ver o Messias do Senhor;

e veio ao templo, movido pelo Espírito.

Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino

para cumprirem as prescrições da Lei

no que lhes dizia respeito,

Simeão recebeu-O em seus braços

e bendisse a Deus, exclamando:

«Agora, Senhor, segundo a vossa palavra,

deixareis ir em paz o vosso servo,

porque os meus olhos viram a vossa salvação,

que pusestes ao alcance de todos os povos:

luz para se revelar às nações

e glória de Israel, vosso povo».

O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados

com o que d’Ele se dizia.

Simeão abençoou-os

e disse a Maria, sua Mãe:

«Este Menino foi estabelecido

para que muitos caiam ou se levantem em Israel

e para ser sinal de contradição;

– e uma espada trespassará a tua alma –

assim se revelarão os pensamentos de todos os corações».

Havia também uma profetiza,

Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser.

Era de idade muito avançada

e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela

e viúva até aos oitenta e quatro.

Não se afastava do templo,

servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações.

Estando presente na mesma ocasião,

começou também a louvar a Deus

e a falar acerca do Menino

a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.

Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor,

voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré.

Entretanto, o Menino crescia

e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria.

E a graça de Deus estava com Ele.

 

Tal como no Natal ou na Epifania, também nesta Festa da Apresentação, Jesus manifesta-se como o Enviado do Pai para nos trazer a Salvação: Ele é a Luz das nações! Assim, esta Festa é também tradicionalmente chamada como de Nossa Senhora das Candeias, pois a Mãe de Jesus traz em seus braços a verdadeira Luz que Deus, por Sua vez, quer oferecer a todos os homens! É esta Luz que cada um de nós deve receber na sua vida, tal como o velho Simeão, tornando-a visível para os outros, tal como fez Ana, ao falar daquele Menino “a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém”.

Mas meditemos, mais profundamente, em alguns aspetos que se destacam neste Evangelho:

  • Todos os personagens que surgem neste relato estão identificados com Deus, com a Sua Palavra, com o propósito de cumprirem a vontade de Deus: desde logo, Jesus, consagrado a Deus desde o início da Sua vida e cujo alimento era fazer a vontade de Seu Pai; mas também, Maria e José, que foram ao Templo para cumprirem as prescrições da Lei, Simeão, aberto à luz do Espírito Santo, e Ana, que “não se afastava do templo,servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações”. E eu, também me identifico totalmente com Deus e com a Sua Palavra? Consagro-Lhe toda a minha vida, com as minhas escolhas e as minhas atitudes? Procuro sempre a vontade de Deus, para O servir através dos meus irmãos?

  • É fascinante a atitude dos dois idosos do Evangelho, pela Esperança que viveram ao longo da sua vida, confiando sempre no Senhor, mostrando-nos que, apesar da idade mais avançada, se pode ser eternamente jovem, pois o encontro com Deus faz novas todas as coisas. Deixo-me renovar pelo encontro com Cristo? Vivo com verdade, sou genuíno, ou deixo-me facilmente amarrar por aquilo que a sociedade nos impõe?

  • A Luz, que é Jesus, não é para ser guardada, pois não é um bem privado de uns poucos. A Luz deve brilhar para todos! Como Simeão e Ana, comunico esta Luz a todos? Vivo a Alegria de ter encontrado o Senhor na minha vida e isso manifesta-se nas minhas atitudes?

Que a Festa da Apresentação de Jesus no Templo nos ajude a recebermos Jesus nos nossos braços, como Simeão, para O apresentarmos ao mundo como Luz das nações. Para isso, vivamos como Jesus, procurando cumprir sempre a vontade de Deus, com autêntica liberdade, lançando as sementes do Reino de Deus que nos faz sentir, a todos, como filhos amados de Deus!

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