Em(Des)Confinamento…

Jesus não ficou para sempre confinado ao sepulcro: ressuscitou, venceu a morte! E convida-nos a desconfinarmos com Ele o nosso coração! Lembremo-nos que, no Batismo, fomos sepultados com Cristo na morte para ressuscitarmos para uma vida nova. Fui capaz, nesta Páscoa, de me libertar do meu egoísmo, das amarras do meu pequeno mundo, dos sentimentos mesquinhos…, para poder viver como verdadeiro Filho de Deus, com o coração livre para amar a todos?

O Ressuscitado não nos abandonou! Pelo contrário, continua presente no meio de nós quando nos reunimos em comunidade e Lhe damos espaço para que Ele nos ofereça os Seus dons. Estás disposto a viver esse encontro? Serás capaz de O reconhecer? Reflete sobre a experiência dos primeiros discípulos que, apesar do medo e da insegurança, conseguiram, não só perceber que Jesus estava vivo, que tinha vencido a morte, mas também sentir uma grande alegria porque, afinal, Ele continuava no meio deles para sempre (Jo 20, 19-31):

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,

estando fechadas as portas da casa

onde os discípulos se encontravam,

com medo dos judeus,

veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes:

«A paz esteja convosco».

Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado.

Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.

Jesus disse-lhes de novo:

«A paz esteja convosco.

Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós».

Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes:

«Recebei o Espírito Santo:

àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão perdoados;

e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».

Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo,

não estava com eles quando veio Jesus.

Disseram-lhe os outros discípulos:

«Vimos o Senhor».

Mas ele respondeu-lhes:

«Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos,

se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado,

não acreditarei».

Oito dias depois,

estavam os discípulos outra vez em casa, e Tomé com eles.

Veio Jesus, estando as portas fechadas,

apresentou-Se no meio deles e disse:

«A paz esteja convosco».

Depois disse a Tomé:

«Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos;

aproxima a tua mão e mete-a no meu lado;

e não sejas incrédulo, mas crente».

Tomé respondeu-Lhe:

«Meu Senhor e meu Deus!»

Disse-lhe Jesus:

«Porque Me viste acreditaste:

felizes os que acreditam sem terem visto».

Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos,

que não estão escritos neste livro.

Estes, porém, foram escritos

para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus,

e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

Os milagres e a vida de Jesus, que os evangelistas nos narram, foram escritos para nos ajudar a acreditar em Jesus como o Filho de Deus que veio ao mundo para nos trazer a Salvação. Dou atenção à Palavra de Deus? Olhando para a vida de Jesus, em particular, há alguma coisa que me cativa? Mas, se Ele está vivo e continua presente no meio de nós, a minha fé tem de passar por uma relação de proximidade e amizade com Ele hoje… Conseguiste captar a “magia” deste Evangelho…?

  • Pois é, foi na tarde daquele primeiro dia da semana, em que os discípulos se mantinham em casa fechados com medo de que lhes pudesse acontecer o mesmo que a Jesus, acabado de ser crucificado e morto como um malfeitor, que Jesus vivo os surpreendeu, aparecendo no meio deles! Apesar das nossas misérias e fragilidades, dos nossos medos e inseguranças…, se nos reunimos em Seu nome, Ele estará no meio de nós! Já o tinha anunciado antes: «Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles.» (Mt 18, 20).

  • É na Eucaristia, graças à comunidade reunida, que Jesus continua a manifestar-nos os sinais da Sua Paixão, mostrando-nos o quanto nos ama – deu a vida por nós, e a fazer caminho connosco. Que interesse tem para mim a Eucaristia? Vivo-a com frequência? Como a vivo?

  • Jesus é o eterno vivente da história! E, por isso, continua a oferecer-nos através da comunidade reunida em Seu nome, a paz, a alegria e o Seu Espírito, para que sejamos capazes de partilhar o Perdão e, assim, de vivermos reconciliados com Deus e uns com os outros… Onde procuro a paz e a alegria? Estou disponível para acolher o Espírito Santo que o Ressuscitado nos oferece e, com Ele, a percorrer os caminhos do encontro e da reconciliação com Deus e com os irmãos?

  • Mas Jesus oferece-nos também uma Missão: «Como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Já tomei consciência que, sendo Jesus o enviado do Pai, o rosto visível do Pai para nós, eu, como discípulo, devo ser o enviado de Jesus que O dá a conhecer em cada palavra e em cada gesto!? Os discípulos, antes fechados e com medo, foram agora dizer a todos que Jesus estava vivo; e a Tomé em particular: «Vimos o Senhor». Como testemunho aos meus irmãos a alegria por ter encontrado Jesus na minha vida?

  • Tomé, mesmo não querendo acreditar na palavra dos seus amigos, não se afastou da comunidade e, oito dias depois, lá estava ele com os outros discípulos. Os crentes, não só não excluem ninguém, como também procuram, essencialmente, cativar e criar o desejo nos irmãos de viverem esse encontro com o Mestre. Foi precisamente nesse encontro, em comunidade, que Tomé fez uma profissão de fé em Jesus maravilhosa: «Meu Senhor e meu Deus!».

  • Somos felizes, não por termos convivido com Jesus fisicamente, como os Apóstolos, mas porque O vemos com os olhos da fé. Jesus, agora, não quer ser visto, simplesmente quer ser acreditado. E para isso, conta connosco. Afinal, «o grão de trigo, caído à terra, morrendo, dá muito fruto».

Desconfina o teu coração para viveres esse encontro maravilhoso com Jesus vivo e ressuscitado, presente no meio da comunidade reunida, acolhe os Seus dons e transporta essa Alegria do Encontro para os teus ambientes, mostrando a todos como o Senhor é bom e transforma, a cada passo, a tua vida!

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