Em(Des)Confinamento…

Jesus continua a mostrar-nos, pelas suas palavras e pelos seus gestos, que no Seu coração todos temos lugar. Deus não exclui ninguém! Aliás, Jesus veio ao nosso encontro para nos mostrar, precisamente, a ternura de Deus, que a todos ama… Tenhamos a coragem de nos aproximarmos de Jesus, de coração aberto, para que Ele nos toque e nos purifique, fazendo de nós pessoas novas, capazes também de revelar a ternura de Deus a cada gesto em favor do próximo.

Começa por fazer silêncio no teu interior. Reconhece intimamente as tuas fragilidades, os teus defeitos, as tuas quedas…, e diz a Jesus baixinho: «Se quiseres, podes curar-me». Depois, pede ao Espírito que te guie na reflexão do Evangelho, para aprendermos a ser mais parecidos com Jesus (Mc 1, 40-45):

Naquele tempo,

veio ter com Jesus um leproso.

Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe:

«Se quiseres, podes curar-me».

Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse:

«Quero: fica limpo».

No mesmo instante o deixou a lepra

e ele ficou limpo.

Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem:

«Não digas nada a ninguém,

mas vai mostrar-te ao sacerdote

e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou,

para lhes servir de testemunho».

Ele, porém, logo que partiu,

começou a apregoar e a divulgar o que acontecera,

e assim, Jesus já não podia entrar abertamente

em nenhuma cidade.

Ficava fora, em lugares desertos,

e vinham ter com Ele de toda a parte.

Após a leitura do Evangelho, prolonga o silêncio e interroga-te acerca do que poderás aprender com ele, com a disposição de te deixares curar e purificar por Jesus. Esta reflexão pode ser feita individualmente ou em família, o que certamente te enriquecerá pois, na partilha, há sempre lugar para novos aspetos:

  • Em primeiro lugar, devemos estar conscientes de que um leproso, segundo a lei, estava completamente excluído da comunidade; e, portanto, também afastado de Deus. Assim, não se podia aproximar de ninguém. Este homem ousou infligir a lei, na esperança de que Jesus o pudesse curar! Mas, no seu pedido, fica claro que é capaz de deixar tudo nas mãos de Deus: «Se quiseres, podes curar-me (purificar-me)». Na minha oração, sou capaz de me colocar nas mãos de Deus, aceitando sempre a Sua vontade? Confio n’Ele e acredito que Ele sabe o que é melhor para mim?

  • Mais do que a cura da lepra, o homem pretende ser purificado, de modo a poder voltar ao convívio da comunidade. Não quer continuar a viver como um excluído. Nas palavras e nos gestos de Jesus, percebemos que Deus não exclui ninguém! E eu, como me comporto no meu dia a dia? Encontro desculpas e esquemas para excluir algumas pessoas da minha vida e dos meus relacionamentos? Na comunidade cristã – e na sociedade, procuro que todos tenham lugar, que todos se sintam acolhidos e amados, ou consinto em atitudes de descriminação e exclusão?

  • Um dos sinais de que o Messias já estaria entre o povo era a cura dos leprosos. Assim, Jesus, para evitar mal-entendidos, de virem atrás d’Ele buscando um messias político, não quer que o homem divulgue o acontecido; no entanto, pede-lhe que o comunique ao sacerdote, «para lhes servir de testemunho». Conhecedores da Palavra de Deus, deveriam reconhecer Jesus como o verdadeiro enviado de Deus! Mas não foi assim. Eles preferiram ficar agarrados aos seus esquemas, às suas tradições, a uma falsa imagem de Deus que até excluía pessoas…, e não aceitaram a novidade de Deus. Vivo aberto a esta novidade de Deus ou prefiro simplesmente agarrar-me às tradições para descargo de consciência?

  • A verdade é que o homem logo começou a apregoar por toda a parte o que sucedera. Não podia guardar para si a alegria que sentia! Que testemunho dou eu de Jesus? Partilho com todos a alegria de ser cristão? Ou talvez ainda não me tenha decidido a viver um encontro mais autêntico com Ele? Não terá chegado a hora!?...

  • Jesus carrega sobre si o peso dos excluídos deste mundo. Agora, é Ele quem não pode entrar nas cidades (ao início do Evangelho era o leproso). Mas é assim, o Seu Amor por nós não tem limites!

Após a reflexão (e partilha), agradece a Jesus ter-nos revelado a ternura de Deus, que não exclui do Seu Amor a nenhum dos Seus filhos, e propõe-te a viver esse encontro com Jesus com confiança, para que Ele te purifique e te encaminhe pelos caminhos do amor, com a consciência de que não devemos nunca deixar os nossos irmãos para trás!

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