Em(Des)Confinamento…

Se na semana passada Jesus se apresentou como o Bom Pastor, sendo nós as ovelhas do Seu rebanho, este Domingo Ele apresenta-se como a videira, da qual nós somos os ramos! É no contexto da Última Ceia que Jesus nos oferece esta “parábola”, mostrando-nos, assim, que permanecerá para sempre connosco numa comunhão vital, onde cada um dos Seus discípulos é chamado a ser como que a extensão de Jesus na Terra, a Sua face visível! Será que a minha vida testemunha essa minha ligação com Jesus, como o fruto do ramo que permanece unido à videira?

Assim, ser cristão não é simplesmente ser batizado. Aliás, Jesus hoje é muito claro, dizendo-nos que só depois de produzirmos muito fruto, sinal dessa comunhão vital com Ele, é que nos tornaremos Seus discípulos. Deixa-te, então, questionar por esta “parábola” de Jesus, pois só a Sua Palavra é que nos pode transformar em verdadeiros discípulos, capazes de assumir a Sua Vida nos nossos gestos de cada dia (Jo 15, 1-8):

Naquele tempo,

disse Jesus aos seus discípulos:

«Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor.

Ele corta todo o ramo que está em Mim e não dá fruto

e limpa todo aquele que dá fruto,

para que dê ainda mais fruto.

Vós já estais limpos, por causa da palavra que vos anunciei.

Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós.

Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo,

se não permanecer na videira,

assim também vós, se não permanecerdes em Mim.

Eu sou a videira, vós sois os ramos.

Se alguém permanece em Mim e Eu nele,

esse dá muito fruto,

porque sem Mim nada podeis fazer.

Se alguém não permanece em Mim,

será lançado fora, como o ramo, e secará.

Esses ramos, apanham-nos, lançam-nos ao fogo e eles ardem.

Se permanecerdes em Mim

e as minhas palavras permanecerem em vós,

pedireis o que quiserdes e ser-vos-á concedido.

A glória de meu Pai é que deis muito fruto.

Então vos tornareis meus discípulos».

No Antigo Testamento aparece, com alguma frequência a imagem da vinha e da videira como referência ao Povo que o Senhor escolheu. Mas essa vinha tantas vezes só produziu maus frutos… Jesus é a verdadeira vide que o Pai plantou e continua a cuidar!

  • Onde busco a verdadeira fonte da vida? Para mim, Jesus, é essa fonte onde posso saciar a minha sede de vida e felicidade ou, na prática, procuro outras realidades na minha ânsia de ser feliz?

  • A palavra mais usada por Jesus nesta breve passagem é “permanecer”. Não basta ter encontrado Jesus um dia… É preciso permanecer com Ele, ou seja, partilhar com Ele uma comunhão de vida, formar uma só coisa com Ele! Reconhecer que, só n’Ele, obtemos a Vida e, por isso, desejarmos permanecer unidos a Ele para sempre! Vivo esta comunhão vital com Jesus? Como a alimento?

  • Além de estar unido à videira, o ramo, para dar fruto, deve ser limpo, podado. E, segundo Jesus, esta poda acontece pela Sua Palavra que nos dá a conhecer o projeto de Deus e, naturalmente, pela Sua própria vida, pois Ele é a Palavra de Deus feita carne! Mais uma vez temos de nos perguntar: que importância dou à Palavra de Deus na minha vida? Deixo-me inspirar e guiar por ela ou, mesmo que a conheça, não passa de um mero conhecimento teórico, que não me inquieta nem me desinstala?

  • Sem Jesus nada podemos fazer! Quando vivemos à nossa maneira, segundo os nossos critérios, prescindindo do Amor, da Vida, da Palavra de Jesus…, até podemos fazer muitas coisas que julgamos como boas, mas onde faltará o essencial, porque simplesmente estaremos a dar azo ao nosso egoísmo, ao nosso orgulho, aos nossos sonhos de grandeza e superioridade sobre os outros! É Jesus, o Amor do nosso Deus, que deve sobressair em tudo o que fazemos, até porque somos todos ramos da mesma videira!

  • Quando permanecemos unidos a Jesus, de modo a que as Suas palavras também permaneçam na nossa vida, até a nossa oração será atendida porque, efetivamente, seremos capazes de rezar ao estilo de Jesus, confiando inteiramente no Pai, e fazendo da Sua vontade a nossa regra de vida! Como é a minha oração? Uno-me a Jesus para rezar? Estou inteiramente disponível para os projetos de Deus?

A glória de Deus é que possamos dar muito fruto, como ramos da videira, que é o próprio Jesus, Seu Filho. Tomemos consciência de que a nossa vocação e missão passa por permanecermos unidos a Jesus, de modo a sermos, hoje, a Sua face visível. Os frutos nascem dos ramos que permanecem unidos à videira e, nela, buscam a seiva necessária para que não lhes falta a vida. Então, sim, seremos verdadeiramente discípulos de Jesus!

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