Em(Des)Confinamento…

A partir da Aliança que Deus faz com o patriarca Abraão, nosso pai na fé, devemos pensar na urgência de uma verdadeira Aliança de gerações, um sonho do Papa Francisco. Ao olharmos para as nossas próprias raízes, todos aqueles que nos ajudaram a construir a pessoa que nós hoje somos, todos aqueles que também nos fizeram descobrir Jesus, devemos, não só manifestar-lhes a nossa gratidão, como também promover a cultura do encontro e da inclusão.

Não esqueçamos, nesta Quarema somos chamados a estar “todos juntos na arca da Aliança”, sem deixarmos ninguém para trás, pois assim é o nosso Deus, cheio de ternura e misericórdia para com todos! Abramos, também, o nosso coração para escutar Jesus que nos mostra o verdadeiro sentido da vida e nos indica o caminho a seguir: é o caminho da cruz, o caminho da entrega, do amor, do serviço aos outros!...

Neste Segundo Domingo da Quaresma somos convidados a subir com Jesus ao monte, onde Ele nos revela a Sua verdadeira identidade e nos faz seguir em frente, sem medo de uma vida gasta por amor. Com Pedro, Tiago e João, acompanhemos, então, Jesus (Mc 9, 2-10):

Naquele tempo,

Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João

e subiu só com eles

para um lugar retirado num alto monte

e transfigurou-Se diante deles.

As suas vestes tornaram-se resplandecentes,

de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra

as poderia assim branquear.

Apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus.

Pedro tomou a palavra e disse a Jesus:

«Mestre, como é bom estarmos aqui!

Façamos três tendas:

uma para Ti, outra para Moisés, outra para Elias».

Não sabia o que dizia, pois estavam atemorizados.

Veio então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra

e da nuvem fez-se ouvir uma voz:

«Este é o meu Filho muito amado: escutai-O».

De repente, olhando em redor,

não viram mais ninguém,

a não ser Jesus, sozinho com eles.

Ao descerem do monte,

Jesus ordenou-lhes que não contassem a ninguém

o que tinham visto,

enquanto o Filho do homem não ressuscitasse dos mortos.

Eles guardaram a recomendação,

mas perguntavam entre si o que seria ressuscitar dos mortos.

Procura um tempo “para subir ao monte”, só com Jesus (individualmente ou em família), e deixa-te interpelar pela Sua presença, Ele que é o Filho amado de Deus e que, por isso, deve ser escutado com toda a atenção. Lembra-te que Ele Se prepara para subir a Jerusalém onde dará a Sua vida, por amor, a ti e a todas as pessoas a quem Deus ama e quer salvar:

  • Jesus sobe ao monte com estes três amigos mais íntimos, depois de lhes ter anunciado a Sua Paixão. Eles não queriam aceitar que o Messias pudesse passar pela cruz! Com a Sua Transfiguração, Jesus quer mostrar-lhes que, não só este é o Projeto do Pai a quem Ele obedece de alma e coração, como também só uma vida de entrega e doação aos outros, torna possível a construção do Reino de Deus neste nosso mundo. De facto, a imunidade de grupo que precisamos é a de uma nova humanidade, onde todos nos dêmos como irmãos, aprendendo a cuidar dos mais frágeis, como são os doentes e as pessoas mais idosas. Estou disposto a seguir Jesus pelo caminho da cruz, servindo e amando sempre os meus irmãos?

  • Moisés e Elias (a Lei e os Profetas) aparecem a conversar com Jesus, como que confirmando que este caminho de Jesus é a consequência do Amor misericordioso do nosso Deus, que a todos quer salvar. Toda a história da salvação aponta para Jesus! Com eles e com o nosso patriarca Abraão, saibamos agradecer todos aqueles que, ao longo da história da nossa vida, nos souberam apontar o caminho de Jesus, em especial as gerações mais velhas.

  • Mas no fim, fica só Jesus com eles, como que a dizer-nos que Ele, sim, deve ser o centro da nossa vida: é a Ele a quem devemos escutar! Dou atenção aos ensinamentos de Jesus e ao Seu exemplo? A minha fé em Jesus tem consequências no meu dia a dia, nos meus comportamentos, nas minhas escolhas, nas minhas atitudes…?

  • Os apóstolos, pela boca de Pedro, manifestam vontade de “acampar” ali, longe da vida real, dos problemas e dos desafios que o mundo nos coloca! Mas Jesus fá-los regressar à realidade, porque o encontro com Ele não pode ser uma fuga à realidade, um ópio que nos anestesia… Encontrar-se com Jesus é comprometer-se em viver ao seu estilo, pois agora somos chamados a ser a Sua face visível no mundo em que vivemos, e Ele quer continuar a dar a vida por todos!

Os discípulos ainda não sabiam o que era isso de ressuscitar dos mortos. Mais tarde compreenderiam o seu significado, percebendo que Jesus venceu a morte e que agora vive para sempre! Mas só a Cruz conduziu Jesus a essa glória! Aqui estão as raízes de um mundo novo. Estás disposto a seguir o mesmo caminho?

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