Em(Des)Confinamento…

Mesmo confinados em casa, o nosso coração não está confinado! Continuamos a amar a todos aqueles que habitam no nosso interior… Mas haverá espaço para mais alguém!? Como era (é) o coração de Jesus, a quem nós dizemos amar e seguir? Procuremos descobri-lo através das Suas palavras e dos Seus gestos…

Antes de mais, faz silêncio no teu interior. Pede ao Espírito que te acompanhe e, depois, lê o Evangelho calmamente, de modo a que te deixes interpelar por cada detalhe. Eis o Evangelho desta semana, com vários episódios, e situado em contextos diferentes (Mc 1, 29-39):

Naquele tempo,

Jesus saiu da sinagoga

e foi, com Tiago e João, a casa de Simão e André.

A sogra de Simão estava de cama com febre

e logo Lhe falaram dela.

Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a.

A febre deixou-a e ela começou a servi-los.

Ao cair da tarde, já depois do sol-posto,

trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos

e a cidade inteira ficou reunida diante da porta.

Jesus curou muitas pessoas,

que eram atormentadas por várias doenças,

e expulsou muitos demónios.

Mas não deixava que os demónios falassem,

porque sabiam qual Ele era.

De manhã, muito cedo, levantou-Se e saiu.

Retirou-Se para um sítio ermo

e aí começou a orar.

Simão e os companheiros foram à procura d'Ele

e, quando O encontraram, disseram-Lhe:

«Todos Te procuram».

Ele respondeu-lhes:

«Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas,

a fim de pregar aí também,

porque foi para isso que Eu vim».

E foi por toda a Galileia,

pregando nas sinagogas e expulsando os demónios.

Após a leitura do Evangelho, faz silêncio no teu interior, e interroga-te acerca do que poderás aprender com ele. Esta reflexão pode ser feita individualmente ou em família, o que certamente te enriquecerá pois, na partilha, há sempre lugar para novos aspetos:

  • Num primeiro momento, Jesus passa da sinagoga para a casa de Simão (Pedro) e André. Esta casa de Pedro é a Igreja, onde Jesus mora e onde há intimidade com Ele, e uma grande confiança, a ponto de Lhe falarem de quem está doente. Cultivo esta intimidade com Jesus? Deixo-O entrar no meu espaço mais interior, de modo a que Ele me toque e “levante”, tal como à sogra de Pedro?

  • Aqueles que vivem este encontro com Jesus e d’Ele recebem vida nova (o verbo “levantar” usado no texto por S. Marcos é empregado também em contextos de ressurreição), testemunham essa experiência através do serviço. Como a sogra de Pedro, disponho-me constantemente a servir os meus irmãos ou prefiro manter-me no meu egoísmo e comodismo?

  • Tal como aconteceu na casa de Pedro, com a cidade inteira diante da porta à espera dos gestos libertadores de Jesus, também hoje o mundo está diante da Igreja, desejando encontrar respostas para os seus dramas e desafios… Testemunho com alegria a minha fé em todos os ambientes? Sei dar razões da minha Esperança a quem porventura já a perdeu?

  • Apesar da multidão e do reconhecimento, Jesus aproveita o silêncio da madrugada para se retirar em oração no diálogo com o Pai. Que espaço dou à oração no meu dia a dia? Que importância tem para mim o Projeto do Pai, a Sua Vontade a meu respeito?

  • Jesus, em conformidade com o Plano do Pai, não se detém num lugar, mas vai ao encontro dos que precisam. A Igreja, como diz o Papa Francisco, deve ser uma Igreja em saída, que vai às periferias oferecer essa salvação de Deus que Jesus veio trazer. Como Igreja que sou, estou atento às periferias, às pessoas que mais precisam e que não têm ninguém, ou vivo indiferente aos seus dramas? Tenho consciência de que somos “todos família, todos irmãos”, e, por isso, cultivo essa fraternidade universal ou vivo apenas a minha vida, fechado no “meu mundo”?

Após a reflexão (e partilha), agradece a Jesus o Seu exemplo e os Seus ensinamentos, e propõe-te a fazer algo em concreto que te ajude a desconfinar o teu coração, dando mais espaço aos irmãos que precisam de ti!

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